A maior feira de inteligência artificial do mundo apresentou máquinas capazes de realizar tarefas domésticas, participar de partidas de futebol e trabalhar em ambientes como farmácias.
As demonstrações atraíram a atenção do público em Xangai, mas também revelaram uma estratégia mais ampla da China para ampliar sua influência no desenvolvimento da tecnologia.
A Conferência Mundial de Inteligência Artificial, conhecida como WAIC, reuniu empresas, pesquisadores e autoridades em um evento que ganhou peso político com a presença de Xi Jinping, conforme informação divulgada pelo g1.
Robôs humanoides ganham destaque nas demonstrações
Entre as atrações mais concorridas estavam os robôs humanoides, projetados para reproduzir movimentos e executar atividades próximas das realizadas por seres humanos.
Em uma das apresentações, um robô recebeu pedidos em uma farmácia e separou medicamentos automaticamente. A cena mostrou como a automação pode ser aplicada em serviços que exigem organização e rapidez.
Outra demonstração chamou atenção por apresentar um equipamento capaz de lavar e secar roupas sem a necessidade de intervenção humana durante o processo.
Os robôs também foram colocados para jogar futebol. A atividade serviu como vitrine para recursos de equilíbrio, percepção do ambiente, coordenação motora e tomada de decisão.
Apesar do avanço, nem todas as apresentações funcionam de maneira totalmente independente. Algumas ainda dependem de controle remoto, enquanto outras usam inteligência artificial embarcada para cumprir tarefas com maior autonomia.
Inteligência artificial começa a sair dos grandes servidores
A feira também apresentou tecnologias voltadas ao funcionamento da inteligência artificial em aparelhos menores. A proposta é permitir que modelos sejam executados diretamente em celulares, computadores e veículos.
Essa mudança pode reduzir a necessidade de enviar dados para grandes servidores. Com isso, informações pessoais tendem a ficar mais próximas do usuário, o que pode aumentar a proteção e diminuir o tempo de resposta dos sistemas.
Os chamados modelos menores de IA também podem facilitar a adoção da tecnologia por empresas que não têm acesso a estruturas computacionais de grande porte.
Outra novidade foi a apresentação de um modelo de inteligência artificial de código aberto. A ferramenta pode ser utilizada e adaptada gratuitamente por empresas e desenvolvedores.
O código aberto permite que diferentes grupos testem aplicações, façam ajustes e criem soluções específicas para áreas como saúde, indústria, transporte e comércio.
China tenta reduzir dependência de tecnologia estrangeira
Fabricantes chineses exibiram ainda novos chips desenvolvidos para aplicações de inteligência artificial. O objetivo é fortalecer a cadeia nacional e diminuir a dependência de componentes produzidos em outros países.
Os semicondutores são fundamentais para treinar e executar sistemas de IA. Por isso, o domínio dessa tecnologia se tornou um dos principais pontos da disputa entre grandes potências.
A presença de Xi Jinping na abertura reforçou a importância estratégica da conferência. Para o governo chinês, a inteligência artificial está ligada à inovação, à produtividade e à competitividade internacional.
A WAIC funciona, assim, como uma vitrine para produtos que podem chegar ao mercado, mas também como uma demonstração da capacidade tecnológica do país.
Feira transforma inovação em mensagem geopolítica
As imagens de robôs jogando futebol ou cuidando de roupas impressionam, mas o alcance do evento vai além do entretenimento. As máquinas representam uma possível transformação em tarefas do cotidiano e no mercado de trabalho.
Farmácias, residências, fábricas e veículos estão entre os ambientes que podem receber sistemas mais autônomos nos próximos anos.
Ainda existem desafios relacionados a segurança, confiabilidade, custo e supervisão humana. Uma demonstração em um ambiente controlado não significa que a tecnologia esteja pronta para funcionar sem limites em qualquer situação.
Mesmo assim, o avanço apresentado em Xangai mostra que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa de laboratório.
Ao reunir robôs, modelos de IA, chips e pesquisadores, a conferência destacou a corrida para definir quem terá maior influência sobre as tecnologias que devem moldar a economia e a vida cotidiana nas próximas décadas.
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