FSB acusa Pavel Durov de facilitar ações terroristas por meio do Telegram e afirma ter emitido um mandado internacional contra o empresário

O Serviço Federal de Segurança da Rússia, o FSB, afirmou nesta quarta-feira, dia 29, que apresentou acusações formais contra Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram.

Segundo o órgão russo, o empresário teria facilitado atividades terroristas ao não remover conteúdos usados, conforme a acusação, por serviços especiais ucranianos e grupos extremistas.

A informação amplia a pressão do governo de Vladimir Putin sobre o aplicativo, que continua sendo usado por autoridades russas e por milhões de pessoas dos dois lados da guerra. As informações foram divulgadas pelo FSB e relatadas pela fonte desta reportagem.

Rússia relaciona Telegram a sabotagens e crimes cibernéticos

O FSB declarou que os conteúdos mantidos no Telegram teriam sido utilizados para preparar e coordenar atos de sabotagem, terrorismo, massacres e operações de fraude cibernética dentro da Federação Russa.

A acusação atribui responsabilidade a Pavel Durov pela suposta falha da plataforma em retirar publicações consideradas ilegais pelas autoridades russas.

O órgão também afirmou ter emitido um mandado internacional de prisão contra o empresário. Até a última atualização, não havia informações confirmadas sobre o paradeiro atual de Durov.

A acusação russa não foi acompanhada, nas informações disponíveis, de detalhes públicos sobre uma eventual decisão judicial ou sobre os países que poderiam ser acionados para cumprir o mandado.

Conta oficial do Telegram reage com gesto obsceno

Pouco depois do anúncio do FSB, a conta oficial do Telegram na rede X publicou uma imagem de Pavel Durov fazendo um gesto obsceno com o dedo médio.

Além da imagem, o aplicativo e seu fundador não haviam divulgado um posicionamento público detalhado sobre as acusações russas até a publicação da reportagem.

O Telegram é um dos principais aplicativos de mensagens do mundo. Fundado em 2013, o serviço afirma ter mais de 1 bilhão de usuários e oferece recursos de comunicação privada e grupos com grande alcance.

A plataforma é amplamente utilizada por forças russas, autoridades da Ucrânia, civis e canais de notícias que acompanham o conflito entre os dois países.

Pressão de Putin sobre o aplicativo aumentou nos últimos anos

O governo de Vladimir Putin vem adotando medidas para restringir o uso do Telegram na Rússia e passou a promover o Max, um serviço de mensagens estatal.

Apesar da pressão, órgãos públicos russos continuam ativos no Telegram. O Kremlin e o Ministério da Defesa estão entre as instituições que publicam diariamente na plataforma.

O conflito entre a popularidade do aplicativo e as tentativas de controle do governo tornou Pavel Durov uma figura central no debate sobre liberdade de expressão, privacidade e segurança digital na Rússia.

Durov nasceu na Rússia e possui atualmente passaportes dos Emirados Árabes Unidos e da França. Antes de criar o Telegram, ele fundou a rede social VKontakte, considerada a versão russa do Facebook.

Em 2014, o empresário vendeu sua participação restante na VKontakte após enfrentar pressão das autoridades russas. Desde então, mantém uma postura pública de defesa da privacidade dos usuários.

Empresário também é investigado na França

As acusações russas se somam a uma investigação conduzida por autoridades francesas. Pavel Durov foi detido na França em agosto de 2024, mas acabou liberado poucos dias depois.

O caso francês envolve suspeitas de que o Telegram não teria combatido de forma adequada atividades criminosas praticadas na plataforma.

As autoridades também investigam uma suposta falta de cooperação do aplicativo com pedidos feitos por forças de segurança. Durov nega ter cometido irregularidades.

Em fevereiro, um jornal estatal russo informou que o fundador do Telegram estava sob investigação em um caso relacionado ao terrorismo.

Em abril, Durov afirmou no próprio aplicativo que uma intimação endereçada ao “Suspeito P.V. Durov” havia sido entregue em um apartamento na Rússia onde ele havia morado por 20 anos.

Na ocasião, ele escreveu que as autoridades poderiam estar suspeitando que defendia os artigos 29 e 23 da Constituição russa, que garantem a liberdade de expressão e o direito à correspondência privada.

“Orgulhoso de ser culpado!”, afirmou o empresário na publicação.

Uma mensagem publicada por Durov em 16 de maio indicava que ele estava em Dubai. Em 23 de julho, o fundador do Telegram disse que estava “muito impressionado com a Geórgia” e que esperava “voltar muito em breve”.

O paradeiro atual de Pavel Durov continua desconhecido, e não havia confirmação pública de uma prisão ou de qualquer medida executada com base no mandado anunciado pelo FSB.